sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Feliz Natal e Próspero Ano Novo Indígena!

A renovação do nosso espírito, e a satisfação da vida material, se dá com o nascer do sol: com uma planta que nasce, com o brotar da flor, com o aparecimento do fruto, com cada folha que renova, com o canto dos pássaros, com as matas povoadas de animais, com o encanto das florestas, com os rios, lagos, ou lagoas cheios de peixes, com o barulho das cachoeiras, com a água pura que mata a nossa sede, e que nos banha, com as nossas roças produzindo alimentos, para saciar nossa necessidade de perpetuação, com o entardecer, com a lua que surge para nos encantar, com as estrelas, que servem para nos guiar, com o novo amanhecer, com o nascer de uma criança, com o respeito e, o cuidado com os nossos semelhantes, com o direito de viver, e, com a nossa partida para o mundo espiritual. Enfim, com o amor e a proteção que nos relacionamos com a Mãe Natureza.
Somos parte da Terra, pedaços de torrões!
Não queremos um Natal e Próspero Ano Novo, que é medido de ano em ano, onde as pessoas são levadas a acreditarem que é só nesses momentos, que o espírito precisa de renovação e paz, que se redime de todos os tipos de atrocidades cometidos ao longo de um ano, que deve se colocar a melhor roupa, o melhor sapato, ter o melhor alimento, amar, sonhar, tolerar, perdoar, presentear, reunir os membros da família, e que depois de passado surgem as incertezas, o desespero, o egoísmo, o orgulho, a prepotência, a vaidade, o rancor, o ódio, a desesperança, a ganância, a sede do poder, a cegueira, a desilusão etc..;. Que transforma o homem, em um ser avilte.
Não queremos um Feliz Natal, e um Próspero Ano Novo de quem faz parte de um Sistema, ou aceita ser dominado por conveniência, e que deixa seus próprios irmãos: com fome, com sede, sem teto, sem pátria, sem direito a uma boa educação, à saúde, a um trabalho digno, sem acesso ao conhecimento dos direitos e deveres de cidadania, sem rosto e sem voz, que fomentam a guerra (a disputa e a discórdia),
Queremos sim, comungar sempre, com aqueles, que enxergam a humanidade como um todo, que não precisam de retórica, e nem se dizem intelectuais para seduzir e enganar seus irmãos, que não possuem olhos vendados, e que tem a plena consciência de que somos todos iguais perante a Natureza. A diferença é unicamente cultural. E, acima de tudo possuem a consciência de que precisamos preservar e cuidar do meio em que vivemos, se deseja para nossas futuras gerações uma vida digna!
Auere!
Yakuy Tupinambá

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Indiossincrasias


OS ANTROPÓLOGOS nos ensinam que não existem ambientes culturais originais, já que as culturas estão em constante transformação interna e externa.

Pensei nas interfaces culturais diante das intervenções do grupo de índios, que pintaram e picharam o Monumento às Bandeiras do escultor Victor Brecheret  inaugurado em 1954 junto com o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

Da passeata contra a PEC 215, que começou na Avenida Paulista no último dia 2, destacou-se um grupo que seguiu pela avenida Brigadeiro Luís Antônio.
Chegando ao monumento, índios jogaram tinta vermelha e escreveram “bandeirantes assassinos”.

A intervenção não visava atingir o escultor Victor Brecheret, mas os bandeirantes e o seu rastro de pólvora, cujo arquétipo continua vivo na lógica assassina dos ruralistas. Além disso, a estátua nos remete inevitavelmente às Monções (expedições fluviais paulistas), que deixaram um legado de progresso feito às custas da morte e destruição das populações tradicionais e do meio ambiente.

Significa dizer que as marcas na estátua são o próprio sangue que escorre do “processo civilizatório” dos brancos.

Como explicou a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), “esse monumento para nós representa a morte (…) arte é o corpo transformado em vida e liberdade e foi isso que se realizou nessa intervenção”.

Diante das epidemias, massacres, escravização, catequese e destruição ambiental, os índios tiveram que aprender muitas coisas para poderem sobreviver, como por exemplo, a língua dos brancos, seus costumes e principalmente a imensa arrogância que carregam, “ao se colocarem como maiores do que o mundo em que vivem”, para usar uma expressão do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro.

Aprenderam, inclusive, que é necessário usar táticas ativistas pontuais, como manifestações, passeatas, bloqueios e, agora, o desvio de significados e a dessacralização de certos ícones, como a intervenção na estátua de Brecheret. Contra o discurso de que “ser índio” é “coisa do passado, e que portanto as terras devem ser dadas a quem “realmente produz”, a imagem das cabeças pintadas de vermelho na estátua viraram um símbolo vivo da Mobilização Nacional Indígena ainda em curso.

Idiossincrasia é uma palavra que significa um traço peculiar do comportamento ou da sensibilidade de uma pessoa ou grupo. Dizem os dicionários que o termo também pode ser aplicado para símbolos que significam alguma coisa para uma pessoa em particular, como uma lâmina pode significar guerra para alguém, mas para outro ela poderia simbolizar o sangramento de um cavaleiro.

Pois é, as marcas no Monumento às Bandeiras são INDIOssincrasias, apoiadas e ressignificadas por várias vertentes culturais.


Silvio Mieli

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Indígenas brasileiros buscam apoio contra PEC 215


A PEC tira do Executivo e transfere ao Congresso a prerrogativa de aprovar as demarcações de Terras Indígenas (TIs). Na prática, significará a paralisação das demarcações. Já o PLP 227 abre essas áreas à exploração econômica do agronegócio, empresas de energia e mineração, entre outros. Esta mudança pode trazer grandes consequências no tratamento de terras protegidas, pois só na área Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima, há mais de 900 pedidos de empresas para fazer prospecções mineiras.

O representante do Conselho Indígena de Roraima (CIR),Ivaldo Perez denunciou a construção de centrais hidrelétricas na zona. Ele assegurou que os indígenas querem colaborar com o governo brasileiro "desde que haja um respeito mútuo", ao destacar que "não aceitamos qualquer tipo de desenvolvimento".

Os indígenas exigem o arquivamento das principais propostas e medidas contrárias aos direitos indígenas, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 227/2012 e a Portaria 303/2012 da Advocacia-geral da União. Reivindicam ainda a retomada das demarcações das Terras Indígenas e a manutenção dos atuais procedimentos demarcatórios, além do fortalecimento da Fundação Nacional do Índio (Funai), entre outros pontos.